(Imagem: CONFISSÃO – O banqueiro: áudio sobre Okamotto e o Instituto Lula e o documento no qual cita pagamento de 30 milhões de reais. Crédito: Ana Paula Paiva/Valor/Agência O Globo)
Ex-dono do Banco Master teria relatado pagamento de R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula em negociação articulada por ex-tesoureiro do PT, segundo reportagem da Veja
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, afirmou em áudios e documentos obtidos pela revista Veja que liberou recursos para a produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como parte de negociações para viabilizar investimentos da instituição financeira em fundos de pensão de estatais.
A reportagem, publicada nesta sexta-feira (9), aponta que Vorcaro detalhou o suposto esquema durante tratativas para firmar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações constam de um anexo apresentado às autoridades, com relatos sobre pagamentos que teriam sido articulados por integrantes do PT.
O relato de Vorcaro
De acordo com o material divulgado, o banqueiro teria afirmado que a aproximação com dirigentes petistas foi costurada por Augusto Lima, então sócio e CEO do Banco Master. O primeiro contato teria sido intermediado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), que à época liderava o governo no Senado.
Ainda segundo a reportagem, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, teria exigido o pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre Lula produzido no exterior. O valor seria entregue ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. Além disso, Vaccari teria solicitado uma comissão de 10% sobre todos os recursos que o Master conseguisse captar junto a fundos de pensão como Previ, Petros, Postalis e Caixa Asset.
Em um dos áudios reproduzidos pela revista, Vorcaro menciona a negociação: “O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara pede para colocar dinheiro no filme do Lula.”
O filme citado seria o documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, que reúne depoimentos de aliados do presidente.
Outros nomes citados
O relato atribuído a Vorcaro também menciona o ministro Alexandre Padilha, que comandava a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência à época. Segundo a reportagem, as articulações teriam envolvido Olavo Noleto, então secretário-executivo da pasta, e um operador identificado como Júlio, que teria intermediado encontros com dirigentes de fundos de pensão.
Em uma das mensagens atribuídas aos envolvidos, Júlio teria informado a Vorcaro que o Banco Master havia sido incluído, em abril de 2024, na chamada “lista exaustiva”, documento que identifica instituições autorizadas a receber recursos de determinados fundos de previdência. No mesmo dia, o operador teria solicitado R$ 500 mil, valor que Vorcaro associou a um adiantamento pelas negociações.
Negativas e desdobramentos
Procurada pela Veja, a assessoria da Presidência da República afirmou que “não houve qualquer pedido, nem do presidente e nem do governo, para o financiamento do documentário Lula, de Oliver Stone”. O presidente Lula declarou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”.
Paralelamente, a Polícia Federal divulgou nota negando que Vorcaro tenha prestado depoimento com o teor relatado pela revista. Segundo a PF, as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa do investigado não foram acolhidas por não atenderem aos requisitos legais. A corporação informou ainda que recebeu uma notícia-crime com pedido de apuração sobre a publicação.
O grupo jurídico Prerrogativas, coordenado por Marco Aurélio Carvalho, anunciou que vai pedir à PF a abertura de inquérito para investigar a suspeita de que Vorcaro tenha sido incentivado a prestar declarações prejudiciais à campanha petista. Segundo o grupo, haveria informações de que o banqueiro teria sido estimulado a afirmar que financiou o documentário em troca de benefícios judiciais, incluindo a soltura de seu pai e a possibilidade de deixar a prisão após as eleições.
Contexto eleitoral
O caso ganha contornos eleitorais em meio à repercussão do financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, aparece em áudios cobrando de Vorcaro o repasse de recursos para a produção, que chegaria a R$ 134 milhões.
Em entrevista recente, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que os casos envolvendo Flávio e Jaques Wagner são “extremamente diferentes”, argumentando que não há áudios do presidente Lula mostrando intimidade com o banqueiro, ao contrário do que ocorre com o senador do PL.
📌 Fonte e créditos
Fonte original: Revista Veja
Reportagem: Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo
Reescrita e adaptação: Noticia Sertaneja
Conteúdo reescrito com base em reportagem da Veja. Todos os direitos sobre as informações originais pertencem ao veículo citado. Este texto tem caráter informativo e não substitui a leitura da matéria original.



